GUIA DE MÚSICA E DANÇA
O Pipa, o Guzheng e a Dança da Saia Arco-Íris
O que os instrumentos e danças do espetáculo da Dinastia Tang realmente são — a pipa, o guzheng, a peça "Saia do Arco-Íris" e a verdadeira história por trás de cada um.
Veja as datas da Dinastia Tang no GetYourGuide ↗O pipa: um instrumento da Rota da Seda que se tornou totalmente chinês
O pipa, um alaúde de quatro cordas em forma de pera, tocado na vertical e dedilhado com os dedos ou unhas, é frequentemente o instrumento solista de maior destaque em programas inspirados na dinastia Tang. É um símbolo eloquente do cosmopolitismo Tang: os antepassados do instrumento chegaram à China vindos da Ásia Central e da Pérsia ao longo da Rota da Seda, séculos antes dos Tang, e no auge da dinastia já tinha sido plenamente absorvido pela música da corte chinesa, com virtuosos do pipa celebrados na poesia Tang. O seu som brilhante e percussivo, dedilhado — capaz tanto de melodias delicadas como de passagens rápidas e semelhantes a tambores — é um dos sons mais imediatamente marcantes do ensemble do espetáculo.
O guzheng: a cítara ancestral, genuinamente chinesa
Embora a pipa tenha vindo de fora da China, o guzheng (frequentemente abreviado para zheng) é um instrumento nativo chinês cujas raízes precedem a dinastia Tang em séculos. É uma cítara longa e horizontal, dedilhada, com pontes móveis sob cada corda, permitindo ao músico curvar a afinação e produzir os glissandos amplos e fluentes que soam imediatamente como "música clássica chinesa" para a maioria dos ouvidos ocidentais. Num espetáculo de estilo Tang, o guzheng fornece tipicamente a espinha dorsal melódica e fluida sob os dançarinos, enquanto a flauta e a pipa acrescentam textura e ornamentação — uma divisão de trabalho que reflete como estes instrumentos eram, de facto, combinados nos conjuntos históricos chineses.
Flautas, gaitas de boca e o resto do conjunto
Completam a típica orquestra de inspiração Tang a dizi, uma flauta transversal de bambu com uma membrana vibrante característica sobre um orifício que lhe confere um timbre mais brilhante do que o da flauta ocidental, e o sheng, um órgão de boca feito de tubos verticais de bambu, um dos instrumentos de palheta livre mais antigos do mundo e provável ancestral da harmónica e do acordeão. Algumas produções incluem ainda o konghou, uma harpa antiga de cordas dedilhadas que praticamente desapareceu após a dinastia Ming e que hoje existe apenas porque os construtores de instrumentos a reconstruíram a partir de representações históricas — um pequeno exemplo, em si mesmo, do mesmo espírito de revivalismo que sustenta todo o espetáculo.
A dança da Saia Arco-Íris e do Manto de Plumas
A peça mais conhecida da maioria dos programas de dança da dinastia Tang é a Nishang Yuyi, geralmente traduzida como a dança da "Saia Arco-Íris e Manto de Plumas". Relatos e poesia da era Tang, incluindo um famoso poema longo de Bai Juyi, associam-na à corte do Imperador Xuanzong no século VIII e à sua célebre consorte Yang Guifei, que se diz tê-la interpretado. Tal como no resto do repertório, não sobrevive nenhuma coreografia original — o que o público vê é uma reconstrução moderna baseada em descrições literárias, pesquisa histórica de vestuário e no vocabulário mais amplo da dança clássica chinesa, e não uma rotina original preservada.
O que as mangas compridas realmente estão fazendo
As mangas de seda amplas e fluidas que percorrem todo o espetáculo pertencem a uma tradição específica da dança chinesa, por vezes designada por "dança das mangas longas", em que o tecido é tratado como uma extensão dos braços dos bailarinos e utilizado para criar formas no ar — varreduras, espirais, estalos súbitos e arcos que se desenrolam lentamente. É uma técnica com uma história centenária própria nas artes performativas chinesas, que exige um controlo físico verdadeiro para manter vários metros de seda em movimento ao ritmo, em vez de simplesmente pendurada solta. Observar a forma como o trabalho das mangas se sincroniza com a música é uma das maneiras mais gratificantes de seguir a coreografia, mesmo sem ler as notas do programa.